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Mensagem do Mês

O papel da escola e da família na formação das crianças.

Em nossa sociedade, escola e família são as duas principais instituições responsáveis pela formação do ser humano. A educação informal (não sistematizada ou não intencional), também chamada de socialização primaria, é proporcionada pela família e começa quando nós nascemos no âmbito privado. Nela, a criança aprende a diferenciar o certo do errado, de acordo com o núcleo em que esta inserida. Já a formal ou secundaria é oferecida na escola, na esfera publica. Porem, algumas características fazem com que as duas possuem funções e objetivos distintos.

Em casa, as relações são assimétricas, ou seja, o pai tem mais autoridade e poder do que os filhos. Além disso, mesmo que o filho ou desobedeça, a mãe e o pai nunca deixarão de ser mãe e pai, e a criança o filho. Isso quer dizer que os papeis se conservam. O mesmo não acontece na instituição de ensino, em que a manutenção das relações depende muito das atitudes. O espaço não é mais de intimidade, é publico. Ocorrem mais provocações e brigas entre irmãos do que entre amigos, por exemplo, porque esse primeiro tipo de relação é estável.

Na escola, como aluno, se faz a passagem da vida privada para a coletiva. Meninos e meninas deixam de ocupar um lugar privilegiado no seio familiar e tornam-se mais um entre os demais. É dado inicio a uma nova aprendizagem, em que eles experimentam a igualdade – como quando percebem que as regras valem para todos – e aprendem a lidar com a diversidade presente – por exemplo, ao conviver com pessoas que possuem outras religiões.

No âmbito escolar, a socialização é diferente da familiar, consistindo no ensino de conhecimentos e no desenvolvimento de valores sociais ou coletivos. A criança tem a oportunidade de aprender a viver em uma sociedade democrática. Isso envolve reconhecer os sentidos do outro, coordenar pontos de vista distintos, lidar com os conflitos de forma não violenta, estabelecer relações e perceber a necessidade de regras para viver bem. Dessa forma, valores presentes em algumas famílias, como o preconceito, devem ser debatidos e transformados em algo que seja socialmente desejável, como o respeito às diferenças.

Não se pode pensar na estruturação escolar apartada da familiar, contudo, é preciso modificar a crença na importância da escola perante família. Como sintetizar o filósofo espanhol Fernando Fernadez-Savater Martín, da Universidade do País Basco: “Eu não desprezo a Educação paterna e materna, mas tampouco vamos pensar que todos os pais têm ideais que devem ser perpetuadas. Se os pais ensinam coisas boas é ótimo, senão, a sociedade tem que ensinar, porquê os valores que devem ser transmitidos não são apenas valores familiares, são valores sociais”.

Diversos estudos indicam que as instituições escolares influenciam de maneira expressiva na formação moral das crianças e dos adolescentes, quer queiram ou não, e confirmam que o desenvolvimento da moralidade esta relacionada á qualidade das relações que se apresentam nos ambientes sociais nos quais o individuo interage-se mais cooperativos ou autoritários. Evidentemente, essas interações não ocorrem apenas no lar. Além disso, para uma criança que vive em um núcleo familiar disfuncional, a escola pode ser a única estrutura estável.

Por fim, independentemente de a família desempenhar seu papel, a escola necessita educar seus alunos para a vivência em uma sociedade democrática e contemporânea, atuando na socialização secundaria. Não podemos continuar esperando por alunos ideais como pré-requisito para que possamos ter êxito nessa tarefa.

TELMA VINHA – professora de Psicologia Educacional da Universidade Estadual de Campinas (unicamp)

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Ely Nunes